Caiu no golpe do falso policial depois de trocar fotos íntimas? Veja o que fazer
Publicado por Lucas Karam Advocacia (OAB/BA 56.878). Atualizado em .
Caiu no golpe do falso policial depois de trocar fotos íntimas com um perfil falso? Pare de pagar agora: polícia não cobra Pix para arquivar inquérito. Isso é sextorsão, uma extorsão pela internet, e os primeiros passos são seus e não dependem de advogado. Guarde as provas, peça o MED ao banco se pagou por Pix e registre a ocorrência sem mostrar as suas fotos. Aqui você entende como o golpe do falso policial civil funciona, o que diz a lei e quando vale procurar ajuda, com sigilo.
Estão cobrando agora para "arquivar o inquérito"? Não pague mais nada. Polícia não cobra Pix. Veja o que fazer
Atendimento sigiloso. No primeiro contato, conte só o necessário e não mande as fotos íntimas.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
Como o golpe do falso policial funciona
O roteiro se repete em quase todos os casos, com pequenas variações. Ele mistura um perfil falso, a acusação de que a moça era menor de idade e um falso inquérito policial. O objetivo é um só: fazer você pagar por Pix, com medo e com pressa.
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A conversa com um perfil falso
Uma moça bonita puxa conversa numa rede social, num aplicativo de namoro ou no WhatsApp. A conversa esquenta rápido e ela pede fotos ou vídeos íntimos, às vezes mandando fotos dela primeiro. O perfil é falso e faz parte do roteiro.
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A revelação da "idade"
Depois da troca, o perfil diz que tem menos de 18 anos, ou aparece alguém dizendo ser o pai, a mãe ou o irmão da "menor". A pessoa ameaça contar para a sua família, para o seu trabalho ou ir à polícia.
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Entra o falso policial
Em seguida chega uma mensagem, uma ligação ou uma videochamada de um suposto policial, delegado ou escrivão. Ele usa foto de farda, brasão, nome de delegacia e até um número de inquérito. Diz que existe um inquérito policial contra você e que dá para "arquivar o inquérito" ou "fazer um acordo" se você pagar.
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A cobrança que não acaba
O pagamento quase sempre é por Pix, para a conta de outra pessoa. Depois do primeiro Pix surgem novas cobranças: "taxa do processo", "psicólogo da menor", "despesas com o advogado da família". Cada pagamento mostra ao golpista que você paga.
Sinais de que é golpe
- Polícia não cobra para arquivarPolícia não cobra Pix para encerrar investigação. E a lei diz que a autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito (Código de Processo Penal, art. 17). Quem promete arquivar em troca de dinheiro está mentindo.
- Pagamento para conta de pessoa físicaO dinheiro vai para a conta de um terceiro, nunca para um órgão público. Isso, sozinho, já mostra que não é cobrança oficial.
- Pressa e medoPrazo de minutos, ameaça de prisão "hoje", pedido para não contar a ninguém. A pressa existe para você não pensar e não pedir ajuda.
- Tudo só pelo aplicativoIntimação de verdade não chega como print de documento no WhatsApp com pedido de Pix. Para conferir, procure você mesmo o telefone da delegacia no site oficial da Polícia Civil do seu estado, nunca o número que veio na mensagem.
Caí no golpe, e agora? O que fazer, passo a passo
A ordem abaixo segue o roteiro do CERT.br para quem caiu num golpe, adaptado à sextorsão. Faça na ordem: os primeiros passos protegem o dinheiro e as provas.
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Pare de pagar
Não pague mais nada, nem "a última parcela". Pagar não encerra o assunto e costuma trazer novas cobranças, porque mostra que você paga.
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Corte o contato
Não negocie, não responda às ameaças e não mande mais fotos, documentos ou dados. Bloqueie o perfil e os números só depois de guardar as provas do passo seguinte.
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Guarde as provas
Faça prints das conversas com data e hora, do perfil da "moça", do "pai" e do "policial", dos números de telefone, dos áudios e dos comprovantes de Pix. Anote o nome, o banco e a chave Pix de cada conta que recebeu dinheiro. Não apague nada: mesmo uma conversa que constrange é a prova de que você foi vítima.
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Pagou por Pix? Peça o MED
Abra o app do banco, vá em Pix e conteste cada transferência. Diga que foi golpe e que pagou sob ameaça (coerção). O Guia do MED, do Banco Central, inclui o Pix feito por coerção de criminosos. Anote o protocolo de cada pedido.
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Troque as senhas
Se o golpista teve acesso a alguma conta sua ou você passou senha, troque as senhas, ative a verificação em duas etapas e encerre as sessões abertas em outros aparelhos.
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Registre o boletim de ocorrência sem se expor
Na delegacia online do seu estado, conte a história na ordem: onde começou a conversa, quem cobrou, quanto você pagou e para quais contas. Junte os prints das ameaças e os comprovantes. Você não precisa anexar as suas fotos íntimas: descrever que houve troca de imagens basta. Você é a vítima da cobrança.
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Denuncie o perfil na plataforma
Use a opção Denunciar no perfil e nas mensagens, depois de guardar os prints. Isso ajuda a tirar o perfil do ar e evita novas vítimas.
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Se ameaçarem mandar para os seus contatos
Você pode escolher avisar antes uma pessoa de confiança. Se algo for publicado, peça a retirada à plataforma e veja o passo a passo no guia de fotos íntimas vazadas.
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Se não resolveu, busque ajuda
Se o banco negou a devolução, registre reclamação no Banco Central e procure o Procon do seu estado. Se as cobranças continuam, se houve exposição ou se você recebeu um documento que parece oficial, consulte um advogado. Depois, acompanhe as contas no seu CPF pelo Registrato, do Banco Central.
Sobre o MED: o pedido pode ser feito em até 80 dias e vale também para o Pix feito sob ameaça (coerção). O dinheiro é rastreado na conta que recebeu e nas contas para onde ele foi passado, mas só volta o que ainda estiver lá. Os golpistas repassam em minutos, então a pressa conta. O passo a passo completo está no guia sobre o que fazer depois de um golpe do Pix.
Quando vale chamar um advogado
Os passos acima são seus. Em alguns casos, porém, a situação passa do que dá para resolver sozinho. Estes são os sinais mais comuns no golpe do falso policial.
- O golpista continua cobrandoVocê parou de pagar e ele continua cobrando, agora com ameaças mais pesadas, novos números ou pessoas que dizem ser outros policiais.
- O banco negou o MEDO banco negou a devolução ou não respondeu, e o valor pago é alto para você. Com as provas da coerção, dá para avaliar o que pedir ao banco e na Justiça.
- Ameaçaram divulgar ou divulgaramAmeaçaram mandar as imagens para a sua família ou para o seu trabalho, ou elas já apareceram em algum lugar. Há pedido de retirada e responsabilização de quem divulgou.
- Chegou uma intimação de verdadeVocê recebeu intimação, mandado ou contato de uma delegacia que você conferiu e é real. Antes de depor, tenha orientação de um advogado.
- Você tem dúvida sobre a idade da pessoaSe não tem certeza de que o perfil era falso, não apague nada e não procure o golpista. Antes de qualquer passo, busque orientação jurídica. O atendimento é sigiloso.
- Envolve o seu trabalho ou a sua famíliaO golpista sabe onde você trabalha, conhece os seus parentes ou já mandou mensagem para alguém próximo. Nesses casos, um plano de resposta evita decisões no susto.
O que diz a lei sobre sextorsão e falso policial
Não existe na lei um crime com o nome de sextorsão. O nome descreve a chantagem com imagens íntimas, e os artigos abaixo, do texto atual do Código Penal e de outras leis, são os que costumam ser discutidos. Quem define o crime em cada caso é a polícia e o Ministério Público.
- ExtorsãoCódigo Penal, art. 158: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, para obter indevida vantagem econômica. Pena de reclusão de 4 a 10 anos e multa. Pelo § 1º, a pena aumenta de um terço até metade se o crime é cometido por duas ou mais pessoas.
- AmeaçaCódigo Penal, art. 147: ameaçar alguém, por palavra, escrito, gesto ou qualquer outro meio simbólico, de causar mal injusto e grave. Pena de detenção de 1 a 6 meses, ou multa.
- Fingir ser policialLei das Contravenções Penais, art. 45: "Fingir-se funcionário público". É uma contravenção penal, infração mais leve que o crime.
- Polícia não arquiva inquéritoCódigo de Processo Penal, art. 17: a autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. Logo, nenhum policial pode vender o arquivamento.
- Registros de quem está por trásMarco Civil da Internet, art. 15: as plataformas devem guardar os registros de acesso por 6 meses. Pelo art. 22, o juiz pode mandar fornecer esses registros, se o pedido trouxer fundados indícios do ilícito, a justificativa e o período.
- Se as imagens forem publicadasMarco Civil da Internet, art. 21: a plataforma que, depois de notificada pela vítima, não retira com diligência imagens de nudez divulgadas sem autorização pode ser responsabilizada pelo dano de forma subsidiária, isto é, em segundo plano, depois de quem divulgou.
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- As ameaças viraram perseguição?Quando as mensagens se repetem por vários perfis e números, veja como registrar e pedir medidas de proteção.
Como funciona o atendimento
Cada etapa depende da anterior. Nem todo caso passa por todas elas, cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.
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Conversa sigilosa
Você conta o que aconteceu, sem precisar mandar as fotos. O advogado é obrigado ao sigilo profissional.
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Análise das provas
Leitura das ameaças, dos comprovantes e das respostas do banco para entender o que aconteceu e definir o caminho.
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Medidas com o banco e a polícia
Orientação sobre o MED e a reclamação, e organização das provas para o boletim de ocorrência ou para acompanhar a investigação.
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Medidas na Justiça
Quando cabível, pedido para as plataformas fornecerem os registros de quem está por trás dos perfis (Marco Civil da Internet, art. 22), pedido de retirada de conteúdo e ação de reparação contra os responsáveis.
Advogado responsável
Lucas Karam é advogado especialista em Direito Digital. A atuação inclui a orientação de vítimas de golpes e de chantagem pela internet, como a sextorsão com falso policial, sempre com sigilo.
Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.
- Inscrição
- OAB/BA 56.878
- Formação
- Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
- Certificações
- CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
- Sigilo
- Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça
Outras entrevistas na imprensa
Entrevistas sobre golpes, crimes na internet e a responsabilidade das plataformas.
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TV Record
Golpe perfeito? Criminosos utilizam ferramentas que clonam voz e rosto da vítima
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SBT Brasil
Regulação das redes: julgamento do Marco Civil da Internet no STF
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CNJ
Entrevista como professor e advogado de Direito Digital
Perguntas frequentes
Golpe do falso policial civil: a polícia liga ou manda mensagem cobrando?
Polícia não cobra Pix para encerrar investigação, e a autoridade policial não pode mandar arquivar inquérito (Código de Processo Penal, art. 17). Se alguém que diz ser da Polícia Civil pede dinheiro para "arquivar", é golpe. Para conferir, ligue para a delegacia pelo número do site oficial da Polícia Civil do seu estado, nunca pelo número que veio na mensagem.
Existe mesmo um inquérito policial contra mim?
No golpe do falso inquérito policial, o número do inquérito, o brasão e o nome da delegacia são inventados para dar medo. Você pode conferir pelo telefone oficial da delegacia. Se descobrir que existe um procedimento de verdade, não negocie com ninguém por mensagem e procure um advogado antes de prestar qualquer depoimento.
Sextorsão é crime?
Sextorsão é o nome popular da chantagem com imagens íntimas. Exigir dinheiro sob grave ameaça pode configurar extorsão (Código Penal, art. 158, reclusão de 4 a 10 anos e multa). Quem finge ser policial ainda pode responder pela contravenção do art. 45 da Lei das Contravenções Penais. O enquadramento final é feito pela polícia e pelo Ministério Público.
Chantagem com fotos íntimas é crime?
Sim, pode ser. Ameaçar divulgar fotos ou vídeos íntimos para conseguir dinheiro pode ser extorsão (art. 158 do Código Penal) e a ameaça em si também é crime (art. 147). Se as imagens chegarem a ser publicadas, o caso passa a envolver também o vazamento, com pedido de retirada às plataformas.
Se eu parar de pagar, eles vão divulgar as fotos?
Ninguém pode garantir o que o golpista vai fazer. O que se sabe é que pagar não encerra a cobrança, porque mostra que você paga. Parar de pagar, guardar as provas e registrar a ocorrência deixa você em posição melhor para agir se algo for publicado.
Extorsão pela internet: dá para recuperar o dinheiro?
Às vezes. Quem pagou por Pix pode pedir o MED ao banco em até 80 dias, informando que pagou sob coerção. O Banco Central rastreia o dinheiro na conta que recebeu e nas contas para onde ele foi passado, e só volta o saldo que ainda estiver nelas. Por isso, quanto antes, melhor. Cada caso depende das provas.
Tenho vergonha. Alguém vai ficar sabendo?
O advogado é obrigado ao sigilo profissional: violar o sigilo sem justa causa é infração disciplinar (Estatuto da Advocacia, art. 34, VII). No primeiro contato, conte só o necessário e não mande as fotos íntimas.
Moro em outro estado. Vocês podem me atender?
Sim. O atendimento é online, para pessoas de todo o Brasil, e os processos na Justiça são eletrônicos. Lucas Karam é inscrito na OAB da Bahia, e a forma de atuar em processos de outros estados é explicada na análise de cada caso.
Informações atualizadas em outubro de 2026.
Onde conferir
- Código Penal (Planalto)
- Código de Processo Penal (Planalto)
- Lei das Contravenções Penais, Decreto-Lei 3.688/1941 (Planalto)
- Estatuto da Advocacia, Lei 8.906/1994 (Planalto)
- Marco Civil da Internet, Lei 12.965/2014 (Planalto)
- Guia do MED, Banco Central do Brasil
- CERT.br, fascículo "Golpes: Caiu? Veja o que Fazer"
Pagou e a cobrança não parou?
Se o golpista continua cobrando, se o banco negou o MED, se ameaçaram divulgar as imagens ou se chegou um documento que parece oficial, a equipe avalia as medidas possíveis, com sigilo.
Tenha à mão os prints das ameaças, os comprovantes de Pix e o boletim de ocorrência. No primeiro contato, não mande as fotos íntimas, senhas nem códigos do banco.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
O escritório atende este tipo de caso de forma online, em todo o Brasil. Veja como funciona na página do advogado de redes sociais.
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As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto. Cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.
