Indenização por golpe do Pix: quando cabe e quanto a Justiça tem dado
Revisado por Lucas Karam, advogado (OAB/BA 56.878), em .
A indenização por golpe do Pix tem duas partes. O dano material é o dinheiro perdido, que o banco devolve quando a Justiça entende que ele falhou. O dano moral é um valor a mais, pelo abalo, e não é automático. Nas decisões recentes que reunimos abaixo, o dano moral ficou entre R$ 5 mil e R$ 10 mil quando foi concedido, e foi negado em vários casos. São exemplos, não garantia.
Desconfie de quem promete indenização garantida. Nenhum advogado pode prometer resultado, e este escritório nunca pede Pix adiantado para liberar valores. Veja o que os tribunais têm decidido
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Primeiras horas: o momento mais importante
- Dia do Pix
- Quanto antes você avisar o banco, maior a chance de ainda haver saldo nas contas que receberam o dinheiro.
- 80 dias
- Último dia para pedir o MED no seu banco.
Danos materiais e danos morais no golpe do Pix: qual a diferença
O dano material devolve o dinheiro que você perdeu. O dano moral compensa o abalo e só é concedido quando o golpe causou mais do que o prejuízo em dinheiro. São pedidos diferentes, e o juiz pode aceitar um e negar o outro.
- Dano materialÉ o prejuízo em dinheiro: o valor dos Pix, e também tarifas, juros e parcelas de empréstimo feito no golpe. Na condenação, entra com correção e juros.
- Dano moralÉ a compensação pelo abalo que o golpe causou além do dinheiro. Depende do caso e precisa ser mostrado.
- Quem pagaO banco, quando a Justiça entende que houve falha do serviço. O golpista e o titular da conta que recebeu também podem ser cobrados, mas costumam ser difíceis de achar.
Antes da Justiça, o caminho mais rápido para reaver o dinheiro é o MED. Veja como pedir o estorno do Pix e, se ele foi recusado, o que fazer com o MED negado.
Golpe do Pix dá dano moral? Quando cabe e quando não cabe
Nem sempre. A fraude bancária, sozinha, não garante dano moral. A página de jurisprudência do TJDFT sobre Pix resume a linha do tribunal: o dano moral cabe quando a fraude vai além do prejuízo em dinheiro, por exemplo quando compromete o dinheiro do sustento. Quando a devolução do valor basta, o dano moral é negado. Costuma pesar a favor:
- Dinheiro do sustento atingidoSalário, aposentadoria ou benefício do INSS que sumiu da conta e fez falta para as contas do mês.
- Vítima idosa ou vulnerávelDecisões recentes levaram em conta a idade da vítima e Pix em sequência fora do perfil dela.
- Descaso do banco depois do avisoMED não aberto, falta de resposta ou bloqueio que não foi pedido a tempo.
- Dívida ou nome negativadoEmpréstimo feito no golpe, cobrança indevida ou nome incluído em cadastro de inadimplentes.
Costuma não caber quando o único prejuízo foi o valor do Pix e ele vai ser devolvido, sem outra consequência provada.
Danos morais no golpe do Pix: valor em decisões recentes
Não existe tabela de valores. Cada juiz decide conforme as provas e o que o golpe causou. Abaixo, decisões públicas recentes, com a fonte no fim da página. Algumas ainda podem mudar em recurso, e elas não são média nem garantia.
- TJDFT, 3ª Turma Cível (jul/2026)Sete Pix em sequência, em menos de uma hora, e um empréstimo fora do perfil da conta, sem bloqueio nem alerta do banco. Dano moral de R$ 10 mil (acórdão 2159346).
- TJDFT, 4ª Turma Cível (ago/2026)Correntista de 79 anos, vítima de engenharia social. Dano moral de R$ 5 mil (acórdão 2162870).
- TJDFT, Segunda Turma Recursal (ago/2026)Fraude reconhecida e devolução de R$ 37,8 mil mantida, mas sem dano moral (acórdão 2160578).
- TJRJ, 7ª Câmara de Direito Privado (notícia de abr/2026)Idosa induzida a instalar um aplicativo. Banco do Brasil e Bradesco não detectaram as transações atípicas: devolução de R$ 12.600 e dano moral de R$ 10 mil, segundo o jornal Estado de Minas.
- TJCE, 5ª Câmara de Direito Privado (dez/2025)Compra falsa anunciada no Facebook, paga com quatro Pix. Um dos bancos que receberam o dinheiro não provou cuidado na abertura da conta usada no golpe: devolução dos valores e dano moral de R$ 6 mil.
- 4ª Vara Cível de Volta Redonda/RJ (1ª instância, notícia de ago/2026)Falsa central. O banco deixou passar movimentação fora do perfil e foi condenado a devolver R$ 190,9 mil. O dano moral foi negado, por falta de prova de consequências além do prejuízo, segundo o jornal O Povo.
- TJMG, 14ª Câmara Cível (ago/2025)Vítima ligou para o número de um SMS falso e fez dois Pix. Sem indenização: o tribunal viu culpa exclusiva da vítima.
Mais decisões, a favor e contra a vítima, em jurisprudência sobre golpe do Pix.
Quando o banco é condenado a indenizar o golpe do Pix
O banco responde mesmo sem culpa, ou seja, você não precisa provar que ele agiu com culpa, quando a fraude está ligada ao risco do próprio serviço (Código de Defesa do Consumidor, art. 14, e Súmula 479 do STJ). Na prática, estas situações costumam levar à condenação:
- Pix fora do seu padrãoO STJ reconheceu o dever do banco de identificar e barrar operações que fogem do perfil do cliente (REsp 2.052.228/DF).
- Falha de segurança afasta a "culpa da vítima"No REsp 2.220.333 (2025), o STJ mandou o banco devolver tudo, e não só metade, porque validou operações fora do perfil. Para a Terceira Turma, culpa concorrente não divide o prejuízo quando a fraude vem de falha de segurança.
- Conta do golpista aberta sem cuidadoO banco que recebeu responde quando fica provado que não conferiu quem abria a conta (REsp 2.124.423).
- MED mal conduzidoPedido feito no prazo e não aberto, demora no bloqueio ou saldo que existia e não foi bloqueado.
Veja o passo a passo da ação em processar banco por golpe do Pix.
Quando não há indenização: a culpa exclusiva da vítima
O argumento mais usado pelos bancos é a culpa exclusiva da vítima. No REsp 2.209.868, noticiado em junho de 2026, a Terceira Turma do STJ manteve uma decisão do TJSP que negou indenização a uma correntista enganada por uma falsa central 0800: ela mesma tirou o dinheiro e transferiu a outro banco. Para o STJ, o golpe aplicado por pessoas de fora, por ligação e mensagem, sem operação estranha validada pelo banco, não é risco do serviço bancário. Por isso, guarde tudo o que mostre como o golpista convenceu você e qualquer sinal de que o banco deveria ter percebido.
Qual o prazo para pedir indenização por golpe do Pix
Contra o banco, o prazo é de 5 anos, contados de quando você soube do dano e de quem o causou (Código de Defesa do Consumidor, art. 27). Causas de até 40 salários mínimos podem ir ao Juizado Especial Cível, e até 20 salários mínimos dá para entrar sem advogado (Lei 9.099/1995). Mas não espere: provas e extratos ficam mais difíceis de conseguir com o tempo.
Indenização do governo ou do Banco Central por golpe do Pix existe?
Não. Não existe programa do governo nem do Banco Central que pague indenização a quem usou o Pix ou caiu num golpe. Em 2025, circulou uma mensagem falsa que prometia R$ 10 mil "do Banco Central" a quem usou o Pix e pedia uma taxa por Pix para "liberar" o valor. Era golpe. Indenização de verdade sai de acordo com o banco ou de decisão judicial, nunca de um pagamento antecipado seu. Veja o golpe do falso advogado e da falsa indenização.
Quando vale chamar um advogado
Muita gente resolve só com o banco. Se algum destes sinais aparecer no seu caso, vale conversar com um advogado:
- O banco negou o MED ou a contestaçãoRecusou, cancelou ou não respondeu, mesmo com o pedido no prazo.
- O valor pesa no seu orçamentoEconomias, salário ou dinheiro do negócio.
- Apareceu dívida ou conta no seu nomeEmpréstimo que você não pediu, conta aberta com o seu CPF ou nome negativado.
- Você sabe quem recebeuTem o nome, a chave Pix ou o banco de quem ficou com o dinheiro.
- Ninguém respondeO SAC, a ouvidoria ou a plataforma não deram retorno.
- Os 80 dias do MED estão acabandoOu já passaram, e o banco diz que não há mais o que fazer.
Tenha à mão o protocolo do MED, a resposta do banco e as conversas. Cada caso depende das provas.
Advogado responsável
Lucas Karam é advogado especialista em Direito Digital, com pós-graduação em Direito Digital e Compliance e MBA em Data Protection Officer. Também é graduado em Gestão de Tecnologia da Informação, o que ajuda a ler os registros técnicos de uma fraude, e não só os documentos do processo.
Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.
- Inscrição
- OAB/BA 56.878
- Formação
- Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
- Certificações
- CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
- Sigilo
- Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça
Outras entrevistas na imprensa
Participações de Lucas Karam na imprensa sobre golpes, segurança digital e crimes na internet.
-
TV Globo, Bom Dia DF
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-
SBT News, Poder Expresso
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-
TV Canção Nova, Jornal da Noite
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Entrevista como professor e advogado de Direito Digital
Perguntas frequentes
Quanto recebe de indenização por golpe do Pix?
Depende do caso. O dano material é o valor perdido, com correção. O dano moral, quando concedido, ficou entre R$ 5 mil e R$ 10 mil nas decisões recentes citadas nesta página, e foi negado em vários casos. Não há valor garantido.
Golpe do Pix dá dano moral?
Não automaticamente. Cabe quando o golpe causou mais que o prejuízo em dinheiro, como o comprometimento do salário ou da aposentadoria, ou quando o banco agiu com descaso depois do aviso.
Qual o valor dos danos morais em golpe do Pix?
Não existe tabela. Em decisões de 2025 e 2026 do TJDFT, do TJRJ e do TJCE, os valores foram de R$ 5 mil, R$ 6 mil e R$ 10 mil. Outras decisões, no mesmo período, negaram o dano moral.
O banco é condenado a devolver o dinheiro do golpe do Pix?
Quando há falha do serviço, sim: Pix fora do seu padrão sem bloqueio, falha de segurança, conta de golpista aberta sem cuidado ou MED mal conduzido. Quando a vítima transferiu enganada e não houve nada estranho, a Justiça costuma negar.
Fui eu que fiz o Pix. Tenho direito a indenização?
Pode ter, mas a análise é mais cuidadosa. O que pesa é se o banco deveria ter percebido o golpe, por exemplo por Pix muito fora do seu perfil, e se agiu depois do seu aviso.
Qual o prazo para pedir indenização por golpe do Pix?
Contra o banco, em regra 5 anos (Código de Defesa do Consumidor, art. 27). Os detalhes estão em quando dá para processar o banco.
Existe indenização do Banco Central para vítima de golpe do Pix?
Não. Mensagens que prometem indenização do Banco Central ou do governo e pedem uma taxa por Pix são golpe.
Moro em outro estado. Vocês podem me atender?
Sim. O atendimento é online, para pessoas de todo o Brasil, e os processos na Justiça são eletrônicos. Lucas Karam é inscrito na OAB da Bahia, e a forma de atuar em processos de outros estados é explicada na análise de cada caso.
Informações atualizadas em novembro de 2026.
Onde conferir
- TJDFT, Dano moral em transferência via Pix (jurisprudência em temas)
- STJ, REsp 2.220.333: falha de segurança afasta culpa concorrente
- ConJur, REsp 2.209.868: falsa central sem indenização
- ConJur, REsp 2.052.228/DF: dever de barrar transação atípica
- TJCE, bancos condenados por golpe do Pix (dez/2025)
- Estado de Minas, decisão do TJRJ (abr/2026)
- O Povo, decisão de Volta Redonda/RJ (ago/2026)
- OAB/RS, decisão do TJMG sem indenização (ago/2025)
- Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990 (Planalto)
Quer saber se o seu caso cabe indenização?
A equipe analisa os extratos, o boletim de ocorrência, as conversas e a resposta do banco para ver se houve falha. Cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.
Se puder, tenha à mão os comprovantes dos Pix e os protocolos. Tudo o que você contar fica protegido pelo sigilo profissional.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
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As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto. Cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.
