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Publicidade na advocacia

Marketing jurídico com IA: o que a OAB permite e onde o texto gerado passa do limite

Atendimento online em todo o Brasil.

Publicado por (OAB/BA 56.878). Atualizado em .

A IA escreve uma legenda em segundos, e é ali que o risco começa: a ferramenta não conhece o Provimento 205/2021 da OAB, que trata de publicidade e marketing jurídico. Quem publica é o advogado, e é ele quem responde perante a Ordem. Esta página resume o que a norma diz e mostra onde um texto gerado costuma ultrapassar o limite.

O Provimento permite o marketing jurídico e o marketing de conteúdos, com informação objetiva, verdadeira e sóbria. Não permite captar clientela, prometer resultado nem divulgar caso concreto. A ferramenta pode ajudar a rascunhar. A decisão de publicar continua com quem assina.

Antes de enviar qualquer pedido: a regra sobre o que nunca vai à ferramenta está em LGPD e IA no escritório de advocacia, e a escrita do pedido em prompts para advogados.

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Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.

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A norma

Quatro limites que a ferramenta não conhece

O Provimento 205/2021 define a publicidade profissional como informativa, discreta e sóbria. Os quatro pontos abaixo são os que mais aparecem quando se pede a uma IA um texto de divulgação.

  • Art. 3º, I

    Valores, gratuidade e desconto

    A publicidade não pode citar valores, forma de pagamento, gratuidade, desconto ou redução como forma de captar clientes. Uma ferramenta de texto adora "primeira consulta sem custo" e "condições especiais". Corte antes de publicar.

  • Arts. 4º, § 2º, e 6º

    Promessa de resultado e caso concreto

    Ficam de fora a promessa de resultado e o uso de casos concretos, decisões e resultados obtidos para oferecer o serviço. "Ganhamos mais um caso" é o tipo de frase que a máquina escreve com naturalidade.

  • Art. 3º, IV

    Autoengrandecimento e comparação

    O texto deve ser sóbrio e informativo. Superlativos, "o melhor", "referência nacional" e comparações com outros escritórios fogem do que a norma chama de discrição.

  • Art. 3º, III, e art. 4º, § 1º

    Título e qualificação

    Só se anuncia especialidade com título certificado ou notória especialização, e a qualificação divulgada precisa ser verdadeira e comprovável. Peça à ferramenta para não inventar credencial.

O texto completo está no portal da OAB, e vale reler de tempos em tempos: o Comitê Regulador do Marketing Jurídico acompanha a evolução dos critérios e pode propor mudanças.

Na prática

Cinco situações em que a IA costuma errar

São cenas comuns em escritório que começou a usar IA para divulgar o trabalho. Nenhuma é caso real.

  1. A legenda que convida a litigar

    Pedido: "escreva um post sobre negativa de plano de saúde". Saída: texto que termina com "não aceite, procure seus direitos agora". A norma separa informar de incitar ao litígio ou à contratação, então o final precisa ser reescrito para explicar, não empurrar.

  2. O resultado que virou vitrine

    A ferramenta recebe a descrição de um processo ganho e devolve um post de comemoração. Mesmo sem nome do cliente, a divulgação de resultado para oferecer o serviço está vedada, e o dado de um cliente nunca devia ter ido para a conversa.

  3. O avatar que fala pelo advogado

    O Provimento não trata de avatar ou voz gerados por IA. Vale a regra geral da veracidade: nada que induza o público a erro (art. 3º, II). Se o vídeo é montado, não deve parecer atendimento ao vivo nem simular depoimento.

  4. O engajamento comprado ou automatizado

    Robôs que curtem, comentam e seguem em massa entram na proibição de meios que influam de forma fraudulenta no alcance (art. 4º, § 5º). Automatizar o agendamento é uma coisa, simular audiência é outra.

  5. A resposta automática que promete

    Um assistente configurado para responder mensagens pode dizer "pode ficar tranquilo, o caso é ganho". Isso é promessa de resultado, mesmo quando dita pelo robô, e quem responde é o advogado.

Exemplo ilustrativo

O mesmo post, antes e depois do pedido certo

Exemplo anonimizado, para mostrar o efeito de reescrever o pedido. Não retrata escritório, cliente ou resultado.

  1. Pedido solto

    Uma advogada pede: "faça um post para o Instagram divulgando que somos o escritório que mais ganha ações contra planos de saúde, com um convite para a primeira consulta grátis".

  2. O que volta

    O texto traz superlativo, promessa implícita de resultado e gratuidade, os três em uma frase. Publicado assim, o conteúdo fica fora do que o Provimento admite.

  3. Pedido reescrito

    Ela pede: "explique em 120 palavras, para o leigo, o que a cobertura obrigatória significa no plano de saúde. Tom sóbrio, sem comparar escritórios, sem prometer resultado, sem citar valores. Termine com uma frase informativa sobre onde buscar orientação".

  4. O que muda

    O post informa, o público aprende algo e o contato fica por conta de quem procurar a página. Ela ainda confere a lei citada antes de publicar.

Rotina

Cinco passos antes de publicar

Um fluxo curto, repetível por quem advoga sozinho e simples de passar para uma equipe.

  1. Rascunhe sem dado real

    Dê à ferramenta o tema e o público, nunca o caso. Use situações genéricas. O que sai pode ser aproveitado como estrutura, e o dado do cliente permanece onde sempre esteve.

  2. Leia com a norma ao lado

    Passe cada frase pelo teste de quatro perguntas: cita valor ou desconto? promete ou mostra resultado? se compara ou se elogia? informa, ou empurra para contratar?

  3. Confira a informação jurídica

    Lei, prazo e número citados no texto precisam estar na fonte oficial. A ferramenta escreve com segurança mesmo errando. Registre a data da conferência, porque a norma muda.

  4. Revise a forma de apresentar

    Título, foto e identidade visual podem aparecer, mas sem ostentação. Não use logomarca ou símbolos oficiais da OAB, e cuide para que nenhuma imagem gerada sugira cliente ou resultado real.

  5. Guarde o que foi publicado

    Se a fiscalização pedir comprovação das informações, quem responde é a pessoa identificada ou o sócio administrador. Mantenha o texto final, o prompt e a fonte conferida no mesmo arquivo.

Esse fluxo é o que a mentoria de IA para advogados monta com a sua rotina. Para o escritório inteiro, o caminho é o treinamento de IA para advogados e a política de uso de IA escrita junto. Quem atende sozinho pode começar por IA para advogado autônomo.

Lucas Karam, advogado de Direito Digital
Quem cuida do caso

Advogado responsável

Lucas Karam é advogado, coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados, na EBPOS, e é membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.

Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.

Inscrição
OAB/BA 56.878
Formação
Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
Certificações
CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
Sigilo
Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça

Conheça a trajetória de Lucas Karam

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Dúvidas

Perguntas frequentes

Advogado pode usar IA para criar conteúdo para as redes sociais?

Pode. O Provimento 205/2021 permite o marketing jurídico e o marketing de conteúdos jurídicos, desde que compatíveis com a ética da profissão. O que importa é o resultado publicado e quem responde por ele, não a ferramenta usada para rascunhar.

Quem responde pelo texto que a IA escreveu?

O advogado ou, no caso de sociedade, os sócios administradores. O art. 1º, § 1º, diz que as informações são de responsabilidade das pessoas identificadas e devem ser objetivas e verdadeiras. Dizer que "foi a ferramenta" não muda isso.

Preciso avisar que o post foi feito com IA?

O Provimento não traz regra específica sobre isso. A Recomendação n. 001/2024 do CFOAB trata do uso de IA generativa e pede cuidado com a confidencialidade e a revisão humana. Se houver dúvida em um caso concreto, consulte a Comissão de Fiscalização da sua Seccional.

Posso divulgar um caso que o escritório ganhou?

Para oferecer o serviço, não. A norma veda a menção a resultados e o uso de casos concretos, inclusive na divulgação de audiências e sustentações. A exceção prevista trata de manifestação espontânea em caso coberto pela mídia.

Dá para usar a IA para responder mensagens de possíveis clientes?

Dá, com cuidado. A resposta automática não pode prometer resultado, citar valores como atrativo nem induzir ao litígio. E o que o potencial cliente escreve é dado pessoal, o que pede transparência e segurança conforme a LGPD.

Anúncio pago com texto gerado por IA é permitido?

O Provimento admite anúncios, pagos ou não, nos meios de comunicação não vedados pelo Código de Ética, sem mercantilização, captação de clientela ou uso excessivo de recursos financeiros. Vale a mesma regra de conteúdo, e o limite do Anexo Único também vale.

Posso criar um avatar ou clone de voz meu para os vídeos?

A norma não trata do tema. Aplique a veracidade: o público não deve ser induzido a erro sobre quem fala e em que condição. Evite simular atendimento ao vivo ou depoimentos, e consulte sua Seccional se for fazer algo novo.

A página substitui a consulta ao Tribunal de Ética?

Não. Esta página explica a norma em linguagem simples e mostra pontos de atenção. Interpretações podem mudar e cada Seccional aplica a norma por conta própria. Em dúvida, consulte o Tribunal de Ética e Disciplina ou a Comissão da sua Seccional.

Vocês ensinam isso na mentoria?

Sim, como parte do trabalho sobre rotina de IA no escritório. A mentoria monta com você um fluxo de rascunho, conferência e registro, usando exemplos anonimizados. Não há resultado garantido: o método depende da prática e da revisão de cada publicação.

Como entrar em contato?

Responda as perguntas rápidas e siga para o WhatsApp. O atendimento é online, para todo o Brasil. No primeiro contato, descreva a rotina de divulgação sem anexar dados de clientes.

Informações atualizadas em outubro de 2026.

Atendimento

Quer um fluxo de divulgação com IA que respeite a norma?

Conte, nas perguntas rápidas, como você divulga hoje e o que quer ganhar de tempo. Assim a conversa começa pela sua rotina.

Descreva a rotina sem anexar dados de clientes.

Falar com o escritório no WhatsApp

Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.

Quer saber como o escritório atua nesse tipo de caso? Veja a página do advogado de LGPD e proteção de dados.

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As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto. Cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.

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