Ir para o conteúdo
Fale no WhatsApp
Treinamento de IA para advogados

Seu escritório já usa IA? Veja o que a OAB recomenda e como treinar a equipe

Atendimento online em todo o Brasil.

Revisado por , advogado (OAB/BA 56.878), em .

O Conselho Federal da OAB recomenda que sócios e gestores de escritório estabeleçam políticas claras sobre o uso de inteligência artificial (IA) e ofereçam treinamento à equipe (Recomendação n. 001/2024, item 3.6). Os primeiros passos não dependem de ninguém de fora: saber quem no escritório usa IA, em quais ferramentas e com quais dados de clientes. A recomendação não é lei, mas reúne deveres que já valem, como o sigilo profissional e a veracidade no processo.

Achou jurisprudência pela IA? Confira cada decisão no site do tribunal antes de protocolar. A IA cita julgados que não existem, e o dever de expor os fatos conforme a verdade (CPC, art. 77, I) vale também para o que veio da máquina. Veja como conferir

Falar com o escritório no WhatsApp

Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.

Lucas Karam entrevistado por TV Canção Nova: Inteligência artificial e privacidade
TV Canção Nova Inteligência artificial e privacidade
Lucas Karam entrevistado por CNJ: Entrevista como professor e advogado de Direito Digital
CNJ Entrevista como professor e advogado de Direito Digital
Lucas Karam entrevistado por RecordTV, Balanço Geral: Inteligência artificial sabota equipe e chantageia engenheiros para não ser desativada
RecordTV, Balanço Geral Inteligência artificial sabota equipe e chantageia engenheiros para não ser desativada
Lucas Karam entrevistado por TV Canção Nova, CN Notícias: Inteligência artificial nas eleições de 2024
TV Canção Nova, CN Notícias Inteligência artificial nas eleições de 2024
OAB

O que a recomendação da OAB pede de quem usa IA

A Recomendação n. 001/2024 do Conselho Federal da OAB orienta o uso de IA generativa na prática jurídica, aquela que escreve textos, resume documentos e responde perguntas. Os pontos que mais pesam no dia a dia do escritório:

  • Item 1.1

    Legislação que continua valendo

    O uso de IA generativa segue o Estatuto da Advocacia, o Código de Ética e Disciplina, a LGPD, o Código de Processo Civil e a propriedade intelectual.

  • Item 2.1

    Sigilo do que entra na IA

    Ao incluir informações numa ferramenta de IA, o advogado zela pelo sigilo profissional, com atenção especial a dados que possam tornar o cliente identificável.

  • Item 2.2

    Escolha do fornecedor

    É preciso diligência na escolha da ferramenta: o fornecedor deve proteger as informações, adotar medidas de segurança e permitir que os dados não sejam usados para o treinamento dos sistemas.

  • Item 2.4

    Chatbot de atendimento

    O assistente virtual não faz atividade privativa da advocacia e avisa, de forma transparente, que é uma máquina.

  • Itens 3.1 e 3.2

    Supervisão humana e veracidade

    O julgamento profissional não é feito pela IA sem supervisão humana, nenhuma atividade privativa é delegada, e a pesquisa de doutrina e jurisprudência segue o dever de veracidade do art. 77 do CPC.

  • Item 3.6

    Dever dos sócios e gestores

    Sócios e gestores garantem que o uso de IA por advogados, estagiários e assistentes seja supervisionado: estabelecem políticas claras, oferecem treinamento e monitoram o cumprimento.

  • Itens 4.1.1 e 4.3.1

    Cliente informado e de acordo

    Quem decide usar IA no serviço formaliza isso ao cliente antes de começar, e o cliente expressa o consentimento informado de forma explícita, por assinatura do documento.

A recomendação não é lei e não cria punição própria. Mas ela relembra deveres que já são obrigatórios: violar, sem justa causa, o sigilo profissional é infração disciplinar pelo Estatuto da Advocacia (art. 34, VII). Por isso, o escritório que segue a recomendação também se protege numa eventual representação ética.

O texto prevê revisão periódica (item 5.1), para acompanhar a evolução das ferramentas. Vale conferir a versão em vigor antes de atualizar a política do escritório.

Sigilo e LGPD

Dados do cliente numa ferramenta de IA

O sigilo profissional não muda porque a ferramenta é nova. O que se cola numa IA pode ficar guardado pelo fornecedor, ser lido por pessoas da empresa dele ou ser usado para treinar o modelo, conforme os termos de uso. Antes de usar, anonimize: tire nomes, CPF, números de processo e detalhes que, juntos, identificam o cliente (item 2.1).

A LGPD também vale para o escritório. Processos previdenciários, trabalhistas, de família e criminais costumam ter dados sensíveis, como saúde, vida sexual ou origem racial, que seguem as regras mais rígidas do art. 11. A segurança desses dados é obrigação do escritório (art. 46), e, se a ferramenta guarda os dados no exterior, a transferência internacional só é permitida nos casos do art. 33.

Na prática, use contas do escritório, com contrato e configuração que impeçam o uso dos dados para treinamento, e nunca contas pessoais da equipe. As regras gerais para qualquer empresa estão no guia LGPD para empresas.

Pesquisa

Jurisprudência pela IA: como conferir antes de protocolar

A IA generativa não consulta um banco de decisões: ela escreve o texto mais provável. Por isso inventa julgados com número, relator e ementa que parecem reais. O item 3.7 da recomendação pede que o advogado revise integralmente o que a IA produziu antes de usar no processo e não confie só nela para construir argumentos.

Antes de citar qualquer decisão sugerida pela IA:

  • Procure o número do processo no site do tribunal e confira órgão julgador, relator e data.
  • Leia a ementa e o trecho citado no inteiro teor, e não só o resumo da IA.
  • Confira se a tese ainda vale: lei alterada, súmula cancelada ou tema repetitivo julgado depois mudam tudo.
  • Confira lei e artigo no texto compilado do Planalto, que mostra a redação atual.

Citação inexistente numa peça vai contra o dever de expor os fatos em juízo conforme a verdade (CPC, art. 77, I), que a recomendação manda observar mesmo quando a pesquisa foi feita com apoio de tecnologia (item 3.2).

Atendimento

Chatbot e WhatsApp com IA no escritório

O assistente virtual pode agendar, recolher documentos e responder dúvidas sobre o funcionamento do escritório. O que ele não pode é fazer atividades privativas da advocacia (item 2.4): pelo art. 1º do Estatuto, são privativas a postulação em juízo e a consultoria, a assessoria e a direção jurídicas. Dizer ao cliente se ele tem direito, ou o que deve fazer no caso dele, é consultoria.

O chatbot também avisa, de forma clara, que é uma máquina (item 2.4). E a comunicação com o cliente não pode ser feita só por conteúdo gerado por IA: o cliente pode pedir para falar com um ser humano (item 4.3).

Transparência

Como informar o cliente sobre o uso de IA

A recomendação pede que o uso de IA seja formalizado ao cliente antes de começar, por contrato, aviso de uso de IA ou outro meio adequado. Pelo item 4.2.1, o documento escrito, em linguagem clara, explica:

  • o propósito do uso de IA na defesa dos direitos do cliente;
  • os benefícios e limitações da tecnologia no caso;
  • os riscos, como erro nas informações geradas ou exposição de dados;
  • as medidas de segurança e de sigilo adotadas;
  • a possibilidade de revisão humana dos resultados.

O cliente dá o consentimento informado de forma explícita, assinando o documento (item 4.3.1). Se ele não concordar, o escritório respeita a decisão e explica as outras formas de trabalhar o caso (item 4.3.2). O documento fica arquivado até o fim do serviço, disponível para consultas e auditorias (item 4.3.3).

O mais simples é incluir uma cláusula sobre IA no contrato de prestação de serviços e ter um aviso próprio para os clientes antigos.

Treinamento

Como treinar a equipe do escritório

Treinamento de IA para advogados não é aula sobre a ferramenta da moda. É ensinar cada pessoa do escritório a usar IA sem expor o cliente nem levar erro ao processo. Cada passo usa o resultado do anterior:

  1. Escreva a política do escritório

    Quais ferramentas são permitidas, em quais contas, o que nunca entra (dados que identificam o cliente, peças sob segredo de justiça, senhas) e quem revisa o que a IA produz. É o que o item 3.6, I, pede dos sócios.

  2. Treine cada função

    Advogados, estagiários e quem faz atendimento usam IA de jeitos diferentes. O item 3.6 alcança também estagiários e assistentes que não são advogados.

  3. Pratique com casos anonimizados

    Peças, pareceres e e-mails reais do escritório, sem nomes, números de processo ou detalhes que identifiquem o cliente, mostram na prática onde a IA ajuda e onde erra.

  4. Ensine a conferir

    Cada citação de lei, súmula ou decisão é conferida na fonte oficial antes de sair do escritório. Quem revisa assina a revisão.

  5. Guarde o registro

    Quem foi treinado, quando e sobre qual versão da política. O registro mostra que o escritório supervisiona o uso, como pede o item 3.6, III.

  6. Atualize sempre

    Ferramentas e regras mudam rápido. O item 3.5 recomenda aprendizagem contínua e capacitações constantes para quem usa IA na equipe.

Para empresas de outros setores, com regras de uso de IA pela equipe e o marco legal da IA, veja o guia treinamento de IA para empresas. Para inventário de sistemas, comitê e ISO 42001, veja governança de IA.

Atendimento

Como funciona o atendimento para escritórios

O trabalho é feito com os sócios e a equipe, em etapas. Nem todo escritório passa por todas: cada escritório depende da área de atuação, dos dados que trata e de como já usa IA. Não há resultado garantido.

  1. Conversa inicial e diagnóstico

    Entender a área de atuação, o tamanho da equipe, as ferramentas já usadas e como os dados dos clientes circulam.

  2. Política de uso de IA e documentos

    Política interna do escritório, modelo de comunicação ao cliente sobre o uso de IA e revisão do contrato com fornecedores de tecnologia.

  3. Treinamento da equipe

    Encontros online por função, com exemplos anonimizados da rotina do escritório e material de consulta.

  4. Acompanhamento

    Dúvidas do dia a dia, revisão da política quando a OAB, a lei ou as ferramentas mudarem.

Lucas Karam, advogado de Direito Digital
Quem cuida do caso

Advogado responsável

Lucas Karam é advogado especialista em Direito Digital, coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados, na EBPOS, e é membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.

Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.

Inscrição
OAB/BA 56.878
Formação
Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
Certificações
CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
Sigilo
Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça

Conheça a trajetória de Lucas Karam

Imprensa

Outras entrevistas na imprensa

Entrevistas sobre inteligência artificial, voz clonada e robôs nas redes.

Dúvidas

Perguntas frequentes

A recomendação da OAB é obrigatória?

É uma recomendação do Conselho Federal, não uma lei. Mas os deveres que ela relembra são obrigatórios: violar sem justa causa o sigilo profissional é infração disciplinar (Estatuto, art. 34, VII), e expor os fatos conforme a verdade é dever processual (CPC, art. 77, I).

Preciso de autorização do cliente para usar IA?

A recomendação pede que o advogado formalize ao cliente, antes de começar, a intenção de usar IA (item 4.1.1), em documento escrito e claro (item 4.2.1), com consentimento por assinatura (item 4.3.1). Se o cliente não concordar, a decisão dele é respeitada (item 4.3.2).

Posso usar a versão gratuita de uma IA no escritório?

Leia os termos antes. A recomendação pede diligência na escolha do fornecedor e a possibilidade de impedir o uso dos dados para treinar o sistema (item 2.2). Planos pessoais nem sempre oferecem isso; contas corporativas costumam ter regras próprias de privacidade.

Posso colocar um chatbot no WhatsApp do escritório?

Pode, com limites. Pelo item 2.4, o chatbot não faz atividade privativa da advocacia, como consultoria jurídica, e avisa que é uma máquina. E o cliente tem o direito de falar com um ser humano quando pedir (item 4.3).

Qual é a melhor IA para advogados?

Não existe uma resposta única. Para o escritório, contam mais a proteção dos dados, a possibilidade de impedir o uso para treinamento, o contrato com o fornecedor e a facilidade de conferir as fontes do que a ferramenta da moda. A escolha depende da área de atuação e dos dados tratados.

Estagiários podem usar IA?

Podem, sob supervisão. O item 3.6 pede que sócios e gestores supervisionem o uso de IA por advogados associados, estagiários e assistentes, com política clara, treinamento e acompanhamento.

Moro em outro estado. Vocês podem me atender?

Sim. O atendimento é online, para escritórios e departamentos jurídicos de todo o Brasil. Lucas Karam é inscrito na OAB da Bahia, e o formato do trabalho é combinado na análise de cada caso.

Informações atualizadas em outubro de 2026.

Atendimento

Seu escritório ainda não tem regras para o uso de IA?

Se a equipe já usa IA sem política escrita, se o escritório quer informar os clientes como a OAB recomenda ou se precisa treinar estagiários e atendimento, a equipe avalia o que falta e por onde começar.

Tenha à mão o número de pessoas na equipe, as áreas de atuação e as ferramentas em uso. No primeiro contato, não mande peças nem documentos de clientes.

Falar com o escritório no WhatsApp

Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.

Quer saber como o escritório atua nesse tipo de caso? Veja a página do advogado de LGPD e proteção de dados.

Guias do mesmo tema

Ver os guias de empresas e proteção de dados

Ver todos os 90 guias, por tema

Leia também

As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto.

WhatsApp do escritório