Resolução CNJ 615 e a IA nos tribunais: o que muda para o advogado
Publicado por Lucas Karam Advocacia (OAB/BA 56.878). Atualizado em .
Em março de 2025 o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução 615, que diz como juízes, servidores e tribunais podem usar inteligência artificial. A norma não obriga o advogado, mas muda o cenário em que ele peticiona: parte do processo pode passar por uma ferramenta, e há regras sobre o que ela pode e não pode fazer.
Esta página resume o que a Resolução estabelece, com os artigos, e separa três coisas: o que vale só para o Judiciário, o que o advogado pode aproveitar e o que continua sendo responsabilidade do escritório.
Do outro lado da mesa: a regra para o advogado que usa IA está em jurisprudência inventada pela IA e em LGPD e IA no escritório de advocacia.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
Seis pontos da Resolução que o advogado deve conhecer
A Resolução tem capítulos sobre risco, governança, contratação, transparência e comitê. Estes seis pontos são os que mais tocam a rotina de quem peticiona.
Art. 2º, V, e art. 3º, VII
Supervisão humana
A IA entra como ferramenta auxiliar e de apoio à decisão. A norma fala em supervisão humana efetiva em todo o ciclo de vida da solução, o que mantém o juiz como responsável pelo que decide.
Art. 10
Usos vedados
São proibidas soluções sem possibilidade de revisão humana, que prevejam crimes ou reincidência pelo perfil da pessoa, que ranqueiem pessoas para avaliar a plausibilidade de direitos ou testemunhos, ou que reconheçam emoções por biometria.
Art. 19, § 3º
Regras para o juiz e o servidor
Quem usa ferramenta de IA generativa por conta própria precisa de capacitação, não pode entregar dado que o fornecedor use para treinar o modelo e não pode processar documento sigiloso ou em segredo de justiça, salvo anonimização na origem ou proteção técnica efetiva.
Art. 19, § 6º
Menção ao uso de IA na decisão
Quando a IA generativa ajuda a redigir um ato judicial, a menção no corpo da decisão fica a critério do magistrado. O registro interno no sistema do tribunal, porém, é devido.
Art. 5º, § 3º, e art. 12, VIII
Lugar da advocacia
Havendo indício de violação a direitos fundamentais, a OAB tem acesso às avaliações de impacto e pode peticionar ao Comitê Nacional. A norma também prevê acesso da OAB aos relatórios de auditoria e à parametrização das soluções de alto risco.
Art. 21
Aviso na tela do sistema
Os sistemas de processo eletrônico que usem IA devem indicar, na interface principal, os modelos em uso, a versão, o código de registro no Sinapses e a data da última atualização.
O ato tem um anexo que classifica finalidades de alto risco, revisto ao menos uma vez por ano pelo Comitê Nacional (art. 11, § 2º). Por isso vale consultar o texto compilado no portal do CNJ antes de citar a norma em peça.
Cinco leituras úteis para quem advoga
São leituras da norma, não orientação sobre caso concreto. A aplicação depende do tribunal, da solução em uso e do processo.
-
A norma é do Judiciário, não do advogado
A Resolução disciplina tribunais, magistrados e servidores. O advogado aparece como usuário externo do sistema (art. 4º, VII). A conduta dele com IA segue o Estatuto, o Código de Ética e a Recomendação n. 001/2024 da OAB.
-
O que o juiz faz com o seu documento
Se o tribunal usa IA para triar, resumir ou minutar, a petição pode passar por essa etapa. Por isso o texto objetivo, com pedido claro e documentos legíveis, ajuda tanto o leitor humano quanto a ferramenta.
-
Se a decisão parecer feita por máquina
Decisão genérica, que cita precedente inexistente ou ignora o que foi alegado, pode ser atacada pelos meios de sempre: embargos de declaração e recurso, apontando a omissão ou o erro. A contestabilidade é um dos princípios do art. 3º, II.
-
Procure o aviso do sistema
O art. 21 manda informar, na interface principal, quais modelos estão em uso. Conferir essa informação no sistema do tribunal em que você atua mostra o que está ativo ali. Cada tribunal implanta no seu ritmo.
-
Espelhe o cuidado no seu escritório
As travas do art. 19, § 3º, para juiz e servidor (capacitação, dado de cliente fora da ferramenta que treina com ele, anonimização) valem como boa prática de escritório, mesmo sem obrigar o advogado.
Montar uma rotina de IA no escritório que acompanhe essas mudanças é parte da mentoria de IA para advogados. Para a equipe inteira, veja o treinamento de IA para advogados.
Advogado responsável
Lucas Karam é advogado, coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados, na EBPOS, e é membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.
Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.
- Inscrição
- OAB/BA 56.878
- Formação
- Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
- Certificações
- CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
- Sigilo
- Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça
Outras entrevistas na imprensa
Entrevistas sobre inteligência artificial, voz clonada e robôs nas redes.
-
TV Record
Golpe perfeito? Criminosos utilizam ferramentas que clonam voz e rosto da vítima
-
TV Canção Nova, CN Notícias
Inteligência artificial nas eleições de 2024
-
TV Globo, Bom Dia DF
Sites falsos criados com inteligência artificial
Perguntas frequentes
O que é a Resolução CNJ 615/2025?
É o ato do Conselho Nacional de Justiça que fixa normas para desenvolvimento, governança, auditoria e uso de soluções de inteligência artificial no Poder Judiciário. Foi assinada em março de 2025 e revogou a Resolução CNJ 332/2020 quando entrou em vigor, 120 dias depois da publicação (arts. 46 e 47).
A Resolução 615 se aplica ao advogado?
Não diretamente. Ela regula o Judiciário. O advogado é tratado como usuário externo do sistema (art. 4º, VII). A conduta profissional dele com IA está no Estatuto da Advocacia, no Código de Ética e na Recomendação n. 001/2024 do Conselho Federal da OAB.
O juiz pode usar o ChatGPT para decidir?
A norma admite ferramentas de IA generativa como auxílio à gestão ou apoio à decisão, com condições. Veda o uso como instrumento autônomo de decisão e mantém o magistrado integralmente responsável pela decisão e pelas informações que ela contém (art. 19, § 3º, II).
O tribunal precisa avisar que usou IA na minha causa?
Não há regra que obrigue avisar cada parte. Para a redação de ato judicial, a menção no corpo da decisão fica a critério do magistrado, com registro interno obrigatório (art. 19, § 6º). A transparência vem por relatórios públicos e pela indicação dos modelos no sistema (arts. 1º, § 3º, e 21).
Posso pedir que a decisão seja revista por ter sido feita por IA?
O caminho é o recurso comum, apontando o defeito concreto da decisão: omissão, fundamento inexistente ou citação falsa. O fato de ter havido IA, por si, não é fundamento listado na norma. O que ela protege é a supervisão humana e a contestabilidade.
A norma proíbe algum uso de IA no tribunal?
Sim. O art. 10 veda, entre outros, solução sem revisão humana possível, a que prevê crime ou reincidência por perfil de personalidade, a que ranqueia pessoas para avaliar direitos, méritos ou testemunhos, e o reconhecimento de emoções por biometria.
A OAB tem algum papel nessa governança?
Tem. A norma assegura à OAB acesso às avaliações de impacto algorítmico e o direito de peticionar ao Comitê Nacional quando houver indício de violação a direitos fundamentais (art. 5º, § 3º), além de acesso a relatórios de auditoria (art. 12, VIII).
A Resolução foi alterada depois?
Segundo a página oficial do ato no portal do CNJ, a situação é "alterado": a Resolução CNJ 674/2026 mexe no art. 15, sobre a composição do Comitê Nacional. Confira o texto compilado no portal antes de citar a norma em peça.
Vocês ensinam como usar IA com segurança na advocacia?
Sim. A mentoria e o treinamento trabalham a rotina de IA do escritório: o que entra na ferramenta, como conferir a saída e como registrar. Não há resultado garantido, o método depende da sua prática.
Como entrar em contato?
Responda as perguntas rápidas e siga para o WhatsApp. O atendimento é online, para todo o Brasil. No primeiro contato, descreva a sua rotina sem anexar dados de clientes.
Informações atualizadas em outubro de 2026.
Quer preparar o escritório para a IA no processo?
Conte, nas perguntas rápidas, como o escritório usa IA hoje e em quais tribunais atua. Assim a conversa começa pela sua rotina.
Descreva a rotina sem anexar dados de clientes.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
Quer saber como o escritório atua nesse tipo de caso? Veja a página do advogado de LGPD e proteção de dados.
Guias do mesmo tema
Ver os guias de empresas e proteção de dados
Ver todos os 124 guias, por tema
Leia também
- Advogado de Proteção de Dados e LGPD
- Advogado para Sites e Aplicativos
- Advogado para Startups e Direito Empresarial
As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto. Cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.
