Vendeu pela internet e caiu no golpe do falso comprador? Veja o que fazer
Revisado por Lucas Karam, advogado (OAB/BA 56.878), em .
Vendeu pela internet e caiu no golpe do falso comprador? Os primeiros passos são seus e não dependem de advogado: não envie mais nada, confira no extrato do banco se o dinheiro entrou de verdade, guarde as provas e avise a plataforma pelo canal oficial. Aqui você aprende a reconhecer o falso comprovante e o falso intermediário, o que fazer se já enviou o produto, como guardar as provas e o que muda quando a sua conta recebeu dinheiro de outra vítima.
Ainda não enviou o produto? Só envie depois de ver o dinheiro no extrato do banco. Veja como conferir
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
Como o golpe do falso comprador funciona
O golpe mira quem vende em sites de classificados, marketplaces e redes sociais. Ele aparece de seis formas, que muitas vezes se misturam numa mesma conversa. Em todas, o objetivo é o mesmo: fazer você entregar o produto, ou mandar dinheiro, sem ter recebido nada.
- Comprovante de Pix falso ou agendadoO comprador manda o print de um comprovante editado, ou de um Pix agendado para outro dia, e pede que você envie o produto na hora. O comprovante falso não tem dinheiro nenhum por trás. O Pix agendado ainda não foi pago, e quem agendou pode cancelar antes da data.
- "Pagamento retido" por e-mail falso da plataformaChega um e-mail ou uma mensagem que imita a plataforma de vendas: o pagamento foi aprovado, mas está retido até você enviar o produto, mandar o código de rastreio ou pagar uma taxa de liberação. O dinheiro não existe.
- Falso intermediário ou falso motoboyO comprador diz que está viajando e que um parente, um motoboy ou uma transportadora vai buscar o produto. O entregador chega antes de qualquer dinheiro cair na sua conta, ou logo depois de um comprovante falso.
- Conversa levada para fora da plataformaLogo no começo, o comprador pede o seu WhatsApp ou o seu e-mail para negociar melhor. Fora do chat da plataforma, a conversa deixa de ficar registrada ali, e fica mais fácil mandar links falsos e comprovantes editados.
- Link falso para receber o pagamentoO golpista manda um link para você liberar ou receber o valor da venda. A página pede os dados do cartão, a senha do banco, um código recebido por SMS ou uma taxa. Para receber um Pix, basta informar a sua chave Pix.
- Triangulação: o seu anúncio usado para enganar outra pessoaO golpista copia o seu anúncio e publica o mesmo produto mais barato. Quando outra pessoa se interessa, ele passa a ela os seus dados para pagar e, ao mesmo tempo, finge ser o comprador com você. O dinheiro cai de verdade na sua conta, você entrega o produto a quem o golpista indicar, e a pessoa que pagou fica sem nada.
Sinais de alerta
- Pressa para você enviarO comprador quer que você envie hoje, que o motoboy busque agora ou que você mande o código de rastreio antes de conferir o pagamento.
- Comprovante no lugar do dinheiroEle insiste que já pagou e manda print, PDF ou e-mail de confirmação, mas o valor não aparece no extrato.
- Pagou a mais e pede a diferençaO comprovante mostra um valor maior que o combinado, e ele pede que você devolva a diferença por Pix. Como o primeiro pagamento não existe, a devolução sai do seu bolso.
- Quem pagou não é o compradorO Pix chega de uma pessoa com nome diferente do comprador com quem você conversa. Pode ser triangulação: o dinheiro é de outra vítima.
- Taxa, código ou senha para liberarQualquer pedido de taxa, de código recebido por SMS ou de senha para você receber o pagamento é sinal de golpe.
Como conferir se o pagamento é de verdade
Três ideias evitam quase todas as formas do golpe: só conta o que está no extrato, ninguém precisa de link para pagar você, e a negociação fica dentro da plataforma. O comprador mostrou um Pix agendado, levou o produto e cancelou? Veja o guia do golpe do Pix agendado.
- Só considere pago o que aparece no extrato do bancoAbra o aplicativo do seu banco você mesmo, sem clicar em link nenhum, e veja se o valor está no extrato como crédito recebido. Print, PDF, e-mail de pagamento aprovado e Pix agendado não são pagamento.
- Confira o nome de quem pagouO nome de quem fez o Pix deve ser o do comprador com quem você negociou. Se for outro, não envie nem entregue nada até entender o que aconteceu: pode ser triangulação.
- Nunca clique em link para receberPara receber um Pix, basta informar a chave. Ninguém precisa da sua senha, do seu cartão, de um código do SMS ou de uma taxa para pagar você.
- Mantenha a conversa e o pagamento dentro da plataformaSe vendeu por um site ou aplicativo de vendas, converse pelo chat dele e use o pagamento e o envio que ele oferece. Confira a venda no aplicativo oficial, e não pelo e-mail ou pela mensagem que chegou.
- Na entrega em mãos, o dinheiro vem antesSó entregue o produto, ao comprador ou a um motoboy, depois de ver o valor no extrato. Prefira um lugar movimentado.
Já enviou o produto? O que fazer agora
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Não envie mais nada e não pague taxa
Se o golpista ainda está falando com você, não envie outro produto, não devolva diferença nenhuma e não pague taxa para liberar dinheiro.
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Guarde as provas
Faça prints do anúncio, das conversas, do perfil do comprador, do comprovante falso e dos e-mails, com o endereço de quem enviou. Anote o código de rastreio, o endereço de entrega e, se alguém buscou o produto, o nome, a placa da moto ou do carro e o horário.
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Avise a plataforma pelo canal oficial
Denuncie o perfil do comprador na plataforma, pelo aplicativo ou pelo site oficial, com o endereço digitado por você, e anote o número do protocolo. Faça os prints antes, porque o perfil pode sumir.
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Produto a caminho? Fale com a transportadora
Se o produto ainda não foi entregue, procure a transportadora pelo canal oficial dela e pergunte se é possível segurar ou devolver a encomenda.
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Registre o boletim de ocorrência
O boletim de ocorrência pode ser feito pela internet, na delegacia virtual do seu estado. Conte o que aconteceu, com datas e valores, e junte as provas.
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Avise o banco
Avise o seu banco se você clicou em link, digitou dados ou senha, pagou alguma taxa ou devolveu diferença por Pix, ou se recebeu um Pix de alguém que não era o comprador. Se pagou por Pix, peça o MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central. Anote o protocolo.
Pagou alguma taxa ou devolveu diferença por Pix? Veja o passo a passo do MED no guia sobre o que fazer depois de um golpe do Pix. O pedido pode ser feito em até 80 dias, mas quanto antes, maior a chance.
Sua conta recebeu dinheiro de outra vítima?
Na triangulação, o Pix que caiu na sua conta é de outra pessoa, enganada pelo golpista com o seu anúncio. Quando ela percebe o golpe, pode pedir o MED ao banco dela, e o pedido chega à sua conta. Pelo Guia do MED do Banco Central, o seu banco bloqueia o valor assim que recebe a notificação, avisa você e tem até 7 dias corridos para analisar se houve fraude da sua parte. Se entender que não houve, desbloqueia. Se entender que houve, o valor pode voltar para quem pagou.
O risco é ficar sem o produto e sem o dinheiro, e ainda ter a conta bloqueada enquanto o banco analisa. É parecido com o que acontece com quem tem a conta usada para passar dinheiro de golpe, a chamada conta laranja, explicada no guia do golpe do falso emprego. Isto é um alerta, não uma acusação: quem vendeu de boa-fé também foi enganado, e cada caso depende das provas.
O que fazer: não gaste nem repasse o valor, muito menos para uma chave que o golpista indicar. Avise o seu banco por escrito, conte que vendeu o produto e foi enganado e mande as provas da venda: o anúncio, a conversa e o comprovante de envio ou de entrega. Registre o boletim de ocorrência contando a sua parte. Se for o caso de devolver o dinheiro, use só a função de devolução do próprio Pix recebido, no aplicativo do banco, que leva o valor de volta à conta de origem, e nunca um Pix novo para outra chave.
E se quem pagou foi o próprio golpista? Há quem pague de verdade, receba o produto e depois peça o dinheiro de volta ao banco dizendo que caiu num golpe. Nesse caso, avise o seu banco o quanto antes e peça que conteste a devolução. O Guia do MED permite contestar a devolução quando a suspeita de fraude é de quem pagou, e o prazo para isso é curto.
O que diz a lei
Enganar quem vende para levar o produto ou o dinheiro pode configurar estelionato e, quando a fraude é feita por mensagem, rede social ou e-mail falso, a forma mais grave, chamada fraude eletrônica. O enquadramento de cada caso cabe à polícia, ao Ministério Público e à Justiça.
- EstelionatoCódigo Penal, art. 171: obter vantagem ilícita, em prejuízo de outra pessoa, enganando alguém com artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Pena de reclusão de 1 a 5 anos e multa, na redação da Lei 15.397/2026.
- Fraude eletrônicaCódigo Penal, art. 171, § 2º-A: quando a fraude usa informações fornecidas pela vítima enganada por redes sociais, contatos telefônicos, envio de correio eletrônico fraudulento ou outro meio parecido. Pena de reclusão de 4 a 8 anos e multa, na redação da Lei 15.397/2026.
- Registros de quem está por trás do perfilMarco Civil da Internet, art. 15: as plataformas guardam os registros de acesso por 6 meses. Pelo art. 22, o juiz pode mandar fornecer esses registros para servir de prova num processo.
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Se você perdeu o produto ou teve a conta bloqueada: como funciona o atendimento
Cada etapa depende da anterior. Nem todo caso passa por todas elas, e não há resultado garantido.
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Análise do caso
Leitura do anúncio, das conversas, dos comprovantes e das respostas da plataforma e do banco, para entender o que aconteceu e definir o caminho.
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Medidas com o banco
Quando a conta foi bloqueada ou o banco pediu explicações, pedido formal com as provas de que você vendeu de boa-fé, e orientação sobre o MED quando você pagou alguma taxa por Pix.
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Medidas na Justiça
Quando cabível, pedido para que as plataformas forneçam os registros de quem está por trás do perfil (Marco Civil da Internet, art. 22) e ação de reparação contra os responsáveis.
Advogado responsável
Lucas Karam é advogado especialista em Direito Digital. A atuação inclui a orientação de vítimas de golpes digitais, como as fraudes contra quem vende pela internet.
Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.
- Inscrição
- OAB/BA 56.878
- Formação
- Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
- Certificações
- CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
- Sigilo
- Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça
Outras entrevistas na imprensa
Entrevistas sobre golpes digitais, Pix e segurança na internet.
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Rádio Antena 1 Salvador, Bahia Notícias no Ar
Golpes no Pix no Carnaval
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Band, Jornal da Band
Vazamento de dados de 25 mil chaves Pix
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CNJ
Entrevista como professor e advogado de Direito Digital
Perguntas frequentes
Dá para recuperar o produto ou o dinheiro?
Pode dar, mas depende de cada caso. Com o boletim de ocorrência e as provas, a investigação pode chegar a quem recebeu o produto. Se você pagou alguma taxa ou devolveu diferença por Pix, peça o MED ao seu banco o quanto antes, em até 80 dias. Não há resultado garantido.
O comprador mandou o comprovante do Pix. Já posso enviar?
Não. Comprovante não é pagamento. Abra o aplicativo do seu banco, sem clicar em link, e só envie se o valor aparecer no extrato. Um Pix agendado também não é pagamento: quem agendou pode cancelar antes da data.
Recebi um e-mail dizendo que o pagamento está retido até eu enviar o produto. É golpe?
Pode ser. O e-mail falso imita a plataforma de vendas e pede que você envie o produto, mande o código de rastreio ou pague uma taxa para liberar o dinheiro. Não clique em nada. Entre no aplicativo ou no site oficial, com o endereço digitado por você, e confira a venda lá.
O dinheiro caiu, mas veio de outra pessoa. O que faço?
Não envie nem entregue nada ainda. Pode ser triangulação: o golpista usou o seu anúncio para enganar outra pessoa, que pagou a você achando que comprava dele. Avise o seu banco por escrito, guarde as provas e não repasse o valor para ninguém.
Minha conta foi bloqueada depois da venda. O que faço?
Peça ao banco, por escrito, o motivo do bloqueio e guarde o número do protocolo. Mande as provas de que você vendeu de boa-fé: o anúncio, a conversa e o comprovante de envio ou de entrega. Pelo Guia do MED, o banco tem até 7 dias corridos para analisar o pedido de devolução. Ninguém pode prometer o desbloqueio, porque ele depende do que aconteceu na conta.
O perfil do comprador sumiu. Ainda dá para identificar o golpista?
Pode ser possível. As plataformas guardam os registros de acesso por 6 meses (Marco Civil da Internet, art. 15) e, com ordem judicial, podem ter de fornecê-los (art. 22). As contas que receberam dinheiro e o endereço de entrega também ajudam a chegar aos responsáveis. Por isso, guarde o link do perfil, os prints e os comprovantes.
Moro em outro estado. Vocês podem me atender?
Sim. O atendimento é online, para pessoas de todo o Brasil, e os processos na Justiça são eletrônicos. Lucas Karam é inscrito na OAB da Bahia, e a forma de atuar em processos de outros estados é explicada na análise de cada caso.
Informações atualizadas em outubro de 2026.
Já enviou o produto ou teve a conta bloqueada?
Se você ficou sem o produto, se a sua conta foi bloqueada ou se recebeu dinheiro de outra vítima, a equipe avalia, com as provas, quais medidas são possíveis no seu caso.
Tenha à mão os prints, os comprovantes e o boletim de ocorrência. No primeiro contato, não mande senhas nem códigos do banco.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
Quer saber como o escritório atua nesse tipo de caso? Veja a página do advogado para golpes e fraudes na internet.
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As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto.
