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Sigilo na prática

Anonimizar dados de cliente antes de usar IA no escritório

Atendimento online em todo o Brasil.

Publicado por (OAB/BA 56.878). Atualizado em .

Quase todo advogado que usa IA já ouviu "tire o nome do cliente". O conselho é bom, mas incompleto: um processo é identificado por número, por enredo e até pelas propriedades do arquivo.

Esta página mostra a técnica: o que identifica, como trocar por marcadores, onde guardar a tabela de troca e como testar o resultado. Ela não dispensa a análise do seu caso nem a escolha cuidadosa da ferramenta.

Regra de partida: anonimizar reduz o risco, mas não o zera. O que pode ou não entrar em cada ferramenta está em LGPD e IA no escritório.

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Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.

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Primeiro passo

O que identifica um cliente além do nome

Seis tipos de pista. Os dois últimos são os que mais escapam, porque não aparecem na leitura corrida do texto.

  • Direto

    Nome, CPF, endereço, telefone

    O óbvio. Costuma ser o que todo mundo tira, mas aparece de novo em assinatura de e-mail, cabeçalho de petição e procuração colada no meio do texto.

  • Direto

    Número do processo e da OAB

    O número CNJ leva direto às partes em consulta pública. Número de inscrição, de contrato, de matrícula e de apólice funcionam do mesmo jeito.

  • Indireto

    A combinação de detalhes

    Cargo raro, cidade pequena, data exata e valor fechado, juntos, apontam uma pessoa mesmo sem nome. Cada detalhe sozinho parece inofensivo.

  • Indireto

    O fato notório

    Caso que saiu na imprensa ou na rede local é reconhecido pelo enredo. Trocar o nome não basta quando a história é conhecida.

  • Escondido

    Metadados do arquivo

    Autor, empresa, data de edição, histórico de revisões e comentários ficam dentro de .docx e .pdf. O nome do arquivo também conta.

  • Escondido

    Imagens e anexos

    Captura de tela, foto de documento e planilha com abas ocultas levam dados que a leitura rápida do texto não mostra.

Exemplo

O mesmo parágrafo antes e depois da troca

O caso é inventado. Repare que a troca preservou a lógica do pedido, e que o terceiro cartão mostra a situação em que ela não basta.

  • Antes

    Texto original

    Maria Souza Lima, enfermeira do hospital municipal de Jacobina, demitida em 14/03/2026 após 11 anos, pede reintegração. Processo 0001234-56.2026.5.05.0000.

  • Depois

    Texto trocado

    [CLIENTE_A], profissional de saúde de hospital público de município do interior, demitida em [DATA_1] após [TEMPO_1], pede reintegração. Processo [PROC_1].

  • Cuidado

    O que ainda pode identificar

    Se só existe um hospital municipal na cidade e a demissão foi noticiada, o texto trocado continua apontando para ela. Aí a regra é não enviar.

Passo a passo

Seis passos para anonimizar com método

  1. Listar o que identifica

    Leia o documento procurando os seis tipos acima e marque cada trecho. Quem aprende a ler assim passa a ver o que antes passava batido.

  2. Trocar por marcador estável

    Use [CLIENTE_A], [EMPRESA_B], [PROC_1] e repita o mesmo marcador para a mesma pessoa. Marcador estável preserva a lógica do texto, e a ferramenta continua entendendo quem fez o quê.

  3. Guardar a tabela de troca fora da ferramenta

    A lista que liga marcador e nome fica no escritório, em pasta com acesso controlado. Nunca na conversa com a IA.

  4. Limpar metadados e anexos

    Copie o texto para um arquivo novo, em branco, e salve com nome neutro. Exclua comentários, revisões e imagens que não servem à tarefa.

  5. Fazer o teste do estranho

    Peça a alguém de fora do caso que leia o texto trocado e tente adivinhar quem é o cliente. Se acertar, falta tirar mais detalhe ou o texto não deve sair do escritório.

  6. Reinserir só no escritório

    Ao receber a resposta, volte os nomes na sua máquina, conferindo cada dado e cada citação. A resposta continua sendo rascunho a revisar.

O melhor momento para praticar é com documento fictício, antes de qualquer caso real. Escolher onde enviar o resultado é outra decisão, tratada em como avaliar uma ferramenta de IA.

Limites

Quando anonimizar não resolve

  • Não envie

    Segredo de justiça

    Processo em segredo de justiça e investigação sigilosa pedem ainda mais cautela. Trocar nomes não afasta a restrição do próprio processo.

  • Não envie

    Dado sensível sobre pessoa reconhecível

    Saúde, vida sexual, religião e dado de criança com enredo único. O risco de reidentificação pesa mais do que o ganho de tempo.

  • Não adianta

    Tarefa que depende do dado real

    Cálculo de prazo com data exata, conferência de assinatura e cruzamento de nomes não funcionam com marcador. Use ferramenta contratada para isso ou faça a mão.

  • Não adianta

    Troca sem critério

    Marcador diferente para a mesma pessoa a cada parágrafo quebra o raciocínio da ferramenta, e o resultado sai confuso. A regra é um marcador por pessoa.

Quem leva a prática para a equipe costuma registrá-la na política de uso de IA. Treinar o escritório a ler documento com esse olhar faz parte da mentoria de IA para advogados; para a equipe inteira, o treinamento de IA para advogados. Estagiários começam pela trilha de estagiário e IA.

Lucas Karam, advogado de Direito Digital
Quem cuida do caso

Advogado responsável

Lucas Karam é advogado, coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados, na EBPOS, e é membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.

Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.

Inscrição
OAB/BA 56.878
Formação
Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
Certificações
CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
Sigilo
Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça

Conheça a trajetória de Lucas Karam

Imprensa

Outras entrevistas na imprensa

Entrevistas sobre inteligência artificial, voz clonada e robôs nas redes.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Tirar o nome do cliente já basta?

Em geral, não. O nome é só um dos identificadores. Número de processo, combinação de cargo, cidade e data, o enredo de um caso conhecido e os metadados do arquivo também levam ao cliente. O teste do estranho serve para conferir.

Anonimizar é o mesmo que pseudonimizar?

Não. Na LGPD, dado anonimizado é aquele que não permite identificar a pessoa por meios razoáveis, e deixa de ser dado pessoal. Na pseudonimização, o vínculo existe e pode ser refeito com uma informação guardada à parte. Trocar nome por [CLIENTE_A] e manter a tabela de troca é, na prática, pseudonimizar, e o cuidado continua sendo o de quem trata dado pessoal.

Se eu anonimizar, posso usar qualquer ferramenta?

Não. A anonimização reduz o risco, mas a escolha da ferramenta continua importando: treino com o conteúdo, retenção e local de armazenamento. Veja as oito perguntas na página sobre como avaliar uma ferramenta de IA.

Posso pedir à própria IA que anonimize o documento?

Fazer isso exige enviar o documento original à ferramenta, ou seja, o dado sai antes de ser protegido. A troca deve ser feita no escritório, por uma pessoa ou por programa local que não envia nada à internet.

Preciso do consentimento do cliente se anonimizei?

Se o dado de fato foi anonimizado, a regra de proteção de dados pessoais deixa de incidir sobre ele. Como o risco de reidentificação nunca é zero, a recomendação da OAB de comunicar o cliente por escrito sobre o uso de IA continua valendo. Veja a página sobre o aviso ao cliente.

Dá para anonimizar uma petição inteira?

Dá para uma parte. Costuma funcionar melhor enviar o trecho que importa, como uma cláusula ou um argumento, do que a peça completa, que reúne qualificação, endereços, valores e anexos.

E a planilha de clientes ou a lista de contatos?

Tabela com nomes e telefones não vira útil depois de anonimizada, e quase sempre não deve ir para ferramenta pública. Se o objetivo é limpar ou organizar a lista, use ferramenta contratada para tratar dado de cliente, com contrato.

Quem no escritório deve fazer a troca?

Quem conhece o caso, porque só essa pessoa sabe o que torna o cliente reconhecível. Estagiário pode fazer a troca mecânica, mas a conferência final é de um advogado responsável.

Vocês ensinam esse processo na mentoria?

O tema pode ser incluído na mentoria individual ou no treinamento de equipe, e o formato é combinado no atendimento. Não há garantia de resultado, e a responsabilidade pelo sigilo é sempre do advogado.

Como entrar em contato?

Responda as perguntas rápidas e siga para o WhatsApp. O atendimento é online, para todo o Brasil. No primeiro contato, descreva o tipo de documento, sem enviar nenhum dado real de cliente.

Informações atualizadas em outubro de 2026.

Atendimento

Quer treinar a equipe para anonimizar com segurança?

Conte, nas perguntas rápidas, que tipo de documento o escritório mais manda para a IA. A conversa começa pela sua rotina.

Descreva o tipo de documento sem anexar peças nem dados de clientes.

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Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.

Veja também a página do advogado de LGPD e proteção de dados.

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As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto. Cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.

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