Estagiário e IA no escritório de advocacia: como supervisionar e treinar
Publicado por Lucas Karam Advocacia (OAB/BA 56.878). Atualizado em .
O estagiário chega com a ferramenta na mão antes de o escritório ter regra. A Recomendação n. 001/2024 do Conselho Federal da OAB coloca a supervisão e o treinamento desse uso como dever de sócios e gestores, e isso começa pela rotina de cada dia.
Esta página mostra o que a Recomendação pede, quais tarefas liberar e quais vetar, cinco perguntas para conferir o trabalho entregue e uma trilha de 30 dias para treinar. Ela não substitui a política do escritório nem a análise do seu caso.
Antes de começar: a regra do escritório precisa existir por escrito. Veja o modelo em política de uso de IA para escritório e o que pode entrar na ferramenta em LGPD e IA no escritório.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
O que a Recomendação diz sobre a equipe
Quatro trechos sustentam a rotina. O dever de supervisionar fica com quem comanda o escritório, e não com o estagiário.
Item 3.5
Capacitação constante
Quem usa a ferramenta na equipe deve passar por capacitações constantes e receber orientações claras sobre o uso ético dela.
Item 3.6
Dever de quem comanda
Sócios e gestores garantem que o uso de IA por associados, estagiários e assistentes seja supervisionado, com política clara, treinamento e monitoramento.
Item 3.7
Revisão antes do tribunal
Tudo o que a IA gerar para um processo é revisado por inteiro, e a análise humana competente não pode ser dispensada.
Item 3.4
Entender a ferramenta
Quem opta por usar IA deve compreender razoavelmente como ela funciona, seus limites e riscos, e os termos de uso sobre os dados.
O que o estagiário pode fazer com IA
Comece pelas tarefas sem dado de cliente. Aumente o alcance quando o hábito de conferir estiver firme.
Liberado
Organizar e resumir material público
Resumir lei, doutrina de domínio público ou texto do próprio estagiário, desde que ele aponte onde está cada trecho resumido.
Liberado
Primeira versão de texto sem dado do cliente
Modelo de e-mail, roteiro de reunião, tabela de prazos fictícios. O supervisor revisa antes de qualquer uso externo.
Só com conferência
Pesquisa de jurisprudência
A IA pode sugerir caminhos de busca, mas cada número de processo e cada trecho de ementa é aberto no site do tribunal pelo estagiário e conferido pelo supervisor.
Só com conferência
Minuta de peça
A minuta serve de rascunho. Quem assina revisa fato, lei e pedido, e o estagiário registra qual parte veio da ferramenta.
O que fica vetado
Vetado
Colar documento do cliente em conta pessoal
Contrato, laudo, extrato ou conversa do cliente só entram em ferramenta aprovada pelo escritório. Conta pessoal do estagiário não é essa ferramenta.
Vetado
Protocolar ou enviar sem revisão
Peça, e-mail a cliente ou petição ao tribunal não saem direto da ferramenta. Passam pelo advogado responsável.
Vetado
Decidir estratégia ou orientar o cliente
Parecer e orientação são atos do advogado. A ferramenta não faz esse papel, nem o estagiário usando a ferramenta.
Vetado
Usar sem avisar
Se o estagiário usou IA numa tarefa, diz isso ao supervisor ao entregar. Uso escondido é o que transforma erro pequeno em problema grande.
O estagiário pratica atos junto com advogado e sob a responsabilidade dele. Por isso a decisão sobre estratégia e a assinatura da peça não passam para a ferramenta nem para ele.
Cinco perguntas ao receber o trabalho
Faça as mesmas perguntas em toda entrega. Em poucas semanas o estagiário passa a responder antes de ser perguntado.
-
Qual ferramenta foi usada?
A resposta mostra se o dado do cliente passou por conta aprovada ou por conta pessoal.
-
O que entrou como pedido?
Peça para ver o texto enviado. Ele revela se havia nome, número de processo ou documento.
-
Cada fonte foi aberta?
Número de processo, artigo e ementa conferidos no site oficial, um por um.
-
O que mudou entre a resposta e a entrega?
Se nada mudou, ninguém revisou. Se mudou, o estagiário consegue explicar por quê.
-
O que ele faria diferente?
A pergunta fecha o ciclo: o estagiário aprende a corrigir o próprio pedido à ferramenta.
Um erro típico: o rascunho chega com uma ementa bem escrita e sem número de processo. Quem pergunta pela fonte descobre, em dois minutos, que o julgado não existe. O caso de peças com decisões inventadas está em jurisprudência inventada pela IA.
Trilha de 30 dias para o estagiário
-
Dias 1 a 5: regras e riscos
Leitura da política do escritório e das regras da OAB, com uma conversa curta sobre o que pode e o que não pode entrar na ferramenta. Fecha com um teste de três perguntas.
-
Dias 6 a 12: prática com dados fictícios
Tarefas inventadas, parecidas com as do escritório: resumir uma lei, redigir um e-mail, montar uma tabela. O supervisor corrige os erros mais comuns junto com o estagiário.
-
Dias 13 a 20: conferência na fonte
Exercício de achar, num rascunho com erro plantado, a citação que não existe e o trecho que não bate com a fonte. Aprender a desconfiar vem antes de aprender a pedir.
-
Dias 21 a 30: casos reais com supervisão
Primeiras tarefas reais, em ferramenta aprovada, com revisão de todo resultado. O estagiário registra o que pediu, o que recebeu e o que mudou antes de entregar.
Repita a trilha a cada semestre ou quando a ferramenta mudar. Aplicar essa trilha ao seu escritório faz parte do treinamento de IA para advogados e, para quem coordena a equipe, da mentoria de IA para advogados. Antes de escolher a ferramenta aprovada, veja como avaliar uma ferramenta de IA. Antes de enviar um documento à IA, veja como anonimizar dados de cliente.
Advogado responsável
Lucas Karam é advogado, coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados, na EBPOS, e é membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.
Coordena a pós-graduação Inteligência Artificial para Advogados na EBPOS, é coautor de livros sobre LGPD pela Saraiva Jur e membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/BA.
- Inscrição
- OAB/BA 56.878
- Formação
- Direito (UCSAL), pós-graduação em Direito Digital e Compliance, MBA em Data Protection Officer (IESB) e Gestão de TI (Estácio)
- Certificações
- CIPM e CDPO/BR (IAPP), DPO (EXIN), Lead Implementer e Auditor Líder ISO/IEC 27701 (ABNT)
- Sigilo
- Sigilo profissional previsto no Estatuto da Advocacia e, nos processos que envolvem a intimidade, segredo de justiça
Outras entrevistas na imprensa
Entrevistas sobre inteligência artificial, voz clonada e robôs nas redes.
-
TV Record
Golpe perfeito? Criminosos utilizam ferramentas que clonam voz e rosto da vítima
-
TV Canção Nova, CN Notícias
Inteligência artificial nas eleições de 2024
-
TV Globo, Bom Dia DF
Sites falsos criados com inteligência artificial
Perguntas frequentes
O estagiário de direito pode usar ChatGPT ou outra IA?
Pode, se o escritório permitir e se a ferramenta for a aprovada por ele. A Recomendação 001/2024 da OAB não proíbe o uso por estagiários, mas coloca a supervisão e o treinamento como dever de sócios e gestores.
Quem responde se o estagiário usar IA e errar?
O advogado que assina e supervisiona. O estagiário pratica atos junto com advogado e sob a responsabilidade dele, e a Recomendação reforça que a IA não substitui o julgamento profissional.
Preciso de uma política escrita só para estagiários?
Não precisa ser separada. Uma política única do escritório, com um anexo curto de rotina para quem está em formação, costuma bastar. Veja o modelo em política de uso de IA.
Como saber se o estagiário usou IA sem me contar?
Pela rotina de conferência: peça o pedido enviado, as fontes abertas e o que mudou. Textos que citam acórdão sem número, ou com estilo muito diferente do dele, merecem a pergunta direta, feita sem acusação.
Vale proibir totalmente o uso de IA pelo estagiário?
A proibição total costuma empurrar o uso para o celular e para contas pessoais, onde o escritório não vê nada. Uso permitido, com regra e conferência, é mais seguro do que uso escondido.
Que tarefas são boas para começar?
As que não envolvem dado de cliente: resumo de texto público, modelos de e-mail, roteiros, tabelas com informação fictícia. Elas ensinam o hábito de revisar antes de o risco aparecer.
O treinamento precisa ser repetido?
Sim. O item 3.5 fala em capacitações constantes. Ferramentas e termos mudam, e uma revisão a cada semestre ou a cada troca de ferramenta mantém a equipe alinhada.
Vocês treinam a equipe do escritório?
Sim, em treinamento de equipe e em mentoria individual, com exercícios em dados fictícios e adaptação às ferramentas do escritório. Não há promessa de resultado: a aplicação e a supervisão continuam com o escritório.
Como entrar em contato?
Responda as perguntas rápidas e siga para o WhatsApp. O atendimento é online, para todo o Brasil. Diga o tamanho da equipe e quais ferramentas usam, sem anexar documentos de clientes.
Informações atualizadas em outubro de 2026.
Onde conferir
Quer treinar a equipe do escritório no uso de IA?
Conte, nas perguntas rápidas, quantas pessoas formam a equipe e quais ferramentas já usam. Assim a conversa começa pela sua rotina.
Descreva a rotina sem anexar peças nem dados de clientes.
Resposta no mesmo dia útil, pela equipe do escritório, sob a responsabilidade do advogado Lucas Karam (OAB/BA 56.878). Atendimento online em todo o Brasil, com sigilo profissional. Prefere e-mail? Escreva para contato@lucaskaram.com.br.
Veja também a página do advogado de LGPD e proteção de dados.
Guias do mesmo tema
- Resumir processo e peças com IA
- Transcrever reunião com cliente usando IA
- Política de uso de IA para empresas
Ver os guias de empresas e proteção de dados
Ver todos os 158 guias, por tema
Leia também
- Advogado de Proteção de Dados e LGPD
- Advogado para Sites e Aplicativos
- Advogado para Startups e Direito Empresarial
As informações desta página são gerais e não substituem a análise de um caso concreto. Cada caso depende das provas, e não há resultado garantido.
